Reunião Anual 2014: inovação e integração são chaves para espantar a crise

Na abertura da 35ª edição da Reunião Anual da Fermentec, o presidente Henrique Amorim destacou que só sobreviverá no setor sucroenergético aqueles que se adaptarem às exigências tecnológicas e de mercado dentro de uma integração entre diversas áreas. Além da pesquisa e transferência de tecnologia, a Fermentec conta agora com a engenharia de processos que fecha o elo da integração completa.

Existe uma grande oportunidade de aumento de eficiência neste setor, segundo Nastari

Os palestrantes convidados foram na mesma linha no primeiro dia de palestras. Guilherme Nastari, da Datagro, mostrou como a produção de cana avançou de 60 milhões de toneladas no começo da década de 70 para mais de 600 milhões de toneladas nos dias atuais. Com a expectativa que a demanda alcance 1 bilhão de toneladas em 2020 a inovação, atrelada a estímulos governamentais, serão determinantes para o crescimento do setor “historicamente o setor teve uma capacidade de renovação e de criar novos produtos, por isso existe uma grande oportunidade de aumento de eficiência neste setor tão estratégico para o país”, afirma Nastari.

Para Araújo usinas flex garantem alternativas de matéria-prima

Já Carlos Araújo, da consultoria Mackensie Agrobusiness, enfatizou que a redução dos custos deve ser feita por ambiente de produção. Ele citou o exemplo de uma usina que 61% do custo para a produção de um saco de açúcar vem da agrícola “a partir deste diagnóstico é preciso avaliar onde é possível racionalizar os custos, como a adoção do plantio direto e a aplicação mais eficiente de insumos”, afirmou Araújo. O consultor concluiu apresentando os três pilares para otimizar os custos de produção: planejamento, fermentação com alto teor alcoólico e a implantação de usinas flex para garantir alternativas de matéria-prima.

Hermann Hoffmann estuda mais de vinte variedades de cana com vistas ao ganho de ATR

Ainda com foco na agrícola, o pesquisador da UFSCar, Hermann Hoffmann, as recentes mudanças no setor, como o advento da colheita mecanizada, trouxe novos desafios no combate às pragas e doenças. Há casos em que a infestação por pragas consomem R$ 200 por cada hectare de cada, representando um grande prejuízo. Por isso os estudos sobre novas variedades e cruzamentos de cana são frequentes “tivemos muito sucesso com a variedade das RBs, que hoje estão presentes em mais da metade dos plantios de cana do Brasil e estamos estudando mais de vinte variedades diferentes para garantir aumento da produtividade e maior ganho de ATR”, concluiu.

Para Coleti sistema de colheita é o maior definidor de impurezas na cana

Encerrando as palestras sobre a agrícola, o engenheiro agrônomo José Tadeu Coleti reforçou que sistema de plantio pode interferir na qualidade final da matéria prima como consequência, mas o sistema de colheita é o maior definidor de maior ou menor grau de impurezas “Tudo acontece e fica evidenciado na colheita, como traçados mal dimensionados, fluxo viário de carreadores, mobilidade canavieira e conciliação de ambientes”, explicou. Por isso, no planejamento devem ser usados métodos de engenharia civil para que seja feito um trabalho sistematizado e com o controle de tráfego adequado.

Novidades em pesquisas também foram apresentadas

Nos últimos 30 anos houve muita inovação, mas o setor tem um enorme potencial de inovação, afirma Henrique Neto

Além dos convidados, os profissionais da Fermentec apresentaram diversos resultados de pesquisas para a realização de medições mais precisas e os desafios para a indústria diante da cana crua, como o maior nível de impurezas e a interferência na qualidade do açúcar. Na parte de produção de energia e etanol os destaques foram os ensaios sobre a fermentação do milho com o caldo de cana e o grande potencial que o Brasil tem para a produção de biogás a partir da biomassa. Mesmo com tantos avanços alcançados desde a década de 70, diretor operacional da Fermentec, Henrique Amorim Neto, alertou que a diferença entre o RTC entre as unidades clientes chega a 15%, o que equivale a R$ 39 milhões. Por isso, o setor ainda tem muito a investir e melhorar.

Reunião Anual também contou com palestra do professor Marins sobre os caminhos para chegar à excelência

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