Reunião Início de Safra 2017: a evolução é constante

Profissionais de diversas usinas e destilarias do país durante a reunião

A Reunião Início de Safra 2017, realizada no dia 22 de fevereiro pela Fermentec em Piracicaba, trouxe à luz “pequenas revoluções” capazes de promover mudanças importantes nas usinas e quebrar paradigmas. Comemorando 40 anos em 2017, a Fermentec relembrou em sua reunião os pontos mais importantes de sua história, desde 1977 quando tiveram início as análises estatísticas, passando pela cariotipagem na década de 80, a seleção de leveduras, que hoje são as mais utilizadas pelas usinas, chegando às novas tecnologias, como leveduras personalizadas e equipamentos que reduzem o volume de vinhaça pela metade.

E, após 40 anos, a inovação continua e muitas novidades foram apresentadas aos profissionais do setor sucroenergético nesta edição da Reunião Início de Safra, confira:

Fernando Henrique Giometti, da Fermentec, e Guilherme Nastari, da Datagro

Guilherme Nastari, da Datagro, abriu a programação com um mercado com grandes oportunidades para o consumo de etanol e destacou o programa RenovaBio, o novo Proálcool, que chega com força, mas com o desafio de colocar as usinas em sintonia para modernizar as operações e fomentar o setor. Já Fernando Henrique Giometti, da Fermentec, mostrou como algumas práticas melhoraram a qualidade da matéria-prima que chega à indústria e o gap de eficiência entre as unidades menos e mais eficientes que chega a 7%. A boa notícia é que houve notória evolução em muitos processos e, para melhorar, investimentos simples como adaptações e qualificação de mão-de-obra podem contribuir para o alcance dessa eficiência.

Na segunda parte da Reunião Início de Safra, Claudemir Bernardino fez uma reflexão sobre os dados produzidos diariamente na rotina das usinas e como estas informações devem ser utilizadas para integrar a tecnologia com o negócio. As usinas estão avançando em processos automatizados, que geram um rendimento muito superior em relação aos manuais, e implantando novas tecnologias, mas ainda há barreiras culturais e de qualificação para explorar todas as vantagens que os novos recursos tecnológicos podem oferecer. Identificar o significado dos números e se adaptar de forma plena às novas tecnologias são grandes diferenciais para alcançar os objetivos desejados pela usina.

Claudemir Bernardino, Eduardo Borges e Luiz Anderson Teixeira

Luiz Anderson Teixeira mostrou os cuidados necessários em cada etapa do processo de fabricação do açúcar neste cenário de desafios da colheita mecanizada, que trouxe mais impurezas para a indústria. Tratamento do caldo, calagem, polímeros, tudo deve ser monitorado detalhadamente para garantir um produto final de qualidade. Entrando no assunto ácidos orgânicos, Eduardo Borges afirmou que um dos desafios da nova matéria-prima é trabalhar com mais ácidos presentes na cana crua, como é o caso do ácido trans-aconítico e outros presentes na planta. Um rígido controle de pH, de temperatura e da contaminação é necessário para evitar destruição de açúcar, gastos com insumos e prejuízos na recuperação de fábrica.

Eder Silvestrini e Paulo Vilela

No último bloco de palestras da Reunião, amostragem foi o tema da palestra de Eder Silvestrini. Tiveram destaque os pontos de atenção necessários para fazer uma amostragem de cana que garanta a representatividade do açúcar, a interferência das impurezas pelo método da prensa e por que é tão importante a usina utilizar o digestor quente/frio. Também foi recomendado uso da cromatografia, deixando de lado o fator AR, para uma obtenção real das eficiências. Já Paulo Vilela apresentou os resultados da pesquisa que avaliou o comportamento do medidor de vazão por efeito Coriolis com mosto de mel e água. O equipamento mostrou uma excelente taxa de medição, é robusto e passou em alguns momentos por situações extremas. Por isso, é indicado para uso no controle de processo. Vilela também deu orientações importantes com relação à estabilidade de vazão e brix, assepsia e instalação para o correto funcionamento do medidor.

Mário Lúcio Lopes e Henrique Amorim Neto

Henrique Amorim Neto abordou os próximos passos em pesquisas com leveduras personalizadas. Das 18 usinas que utilizam leveduras personalizadas, oito são variantes da PE-2. Agora, a Fermentec investiga se as leveduras sofrem mutação ou se pode ser o caso de epigenética, em que ocorrem mudanças nas funções dos genes sem alteração na sequência de DNA. Amorim também apresentou uma novidade para os clientes Fermentec. Agora as leveduras personalizadas estarão disponíveis em pó, o que permite a estocagem e facilita o processo industrial das usinas.

Finalizando as palestras da Reunião Início de Safra, Mário Lúcio Lopes apresentou a pesquisa que está em andamento para descobrir a origem da acidez nos tanques de etanol. Resultados obtidos até o momento mostram que a acidez aumenta na mesma proporção do acetaldeído. Para um tanque 20 milhões de litros de álcool, 250 mg/L representa 5 toneladas de acetaldeído. A próxima etapa é descobrir se o acetaldeído ocorre na fermentação e chega ao tanque ou se é formado por uma bactéria, cuja presença foi identificada em amostras de tanques com acidez.

Henrique Amorim, fundador e presidente da Fermentec

No encerramento da Reunião Início de Safra, o fundador e presidente da Fermentec, Henrique Amorim, deixou uma mensagem de otimismo e também um alerta de que se não houver uma sintonia de objetivos entre o trabalho da Fermentec e empresas clientes, será difícil alcançar o almejado objetivo: aumentar o lucro dentro da ética e sustentabilidade “É com alegria e enorme satisfação que vejo filhos e netos de clientes trabalhando e contribuindo para a evolução do nosso setor. Que todos tenham uma safra equilibrada, sem acidentes e lucrativa”, concluiu.

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