Etanol de milho apresenta grande potencial para usinas do Centro Sul

O etanol de milho já é realidade em cinco usinas do Centro Oeste do Brasil. Os Estados Unidos fazem etanol de milho há mais de quarenta anos, produzem o dobro do combustível em relação ao Brasil e o processo, toda a parte bioquímica, foi baseada na fermentação com caldo de cana. A Fermentec presta consultoria há 31 anos para destilarias que utilizam milho e sorgo no Brasil e no exterior.

O etanol de milho e a tecnologia StarchCane foram os temas da palestra de Alexandre Godoy durante a Reunião Anual da Fermentec

O etanol de milho e a tecnologia StarchCane foram os temas da palestra de Alexandre Godoy durante a Reunião Anual da Fermentec

Apesar da grande produção de milho no país (em junho de 2017 foi registrado superávit de 33 milhões de toneladas do grão), as destilarias brasileiras ainda não aproveitam todo esse potencial. E o mais surpreendente é que não são só unidades de Mato Grosso e Goiás que podem se beneficiar com as safras de milho. Existe um horizonte com grandes oportunidades para destilarias do Estado de São Paulo e região Sul produzirem etanol de milho. É o que afirma Alexandre Godoy, da Fermentec.

A COP 21 prevê uma demanda de 50 bilhões de litros de etanol até 2030. Desde 2007/08 há estagnação na moagem da cana e o mix está cada vez mais açucareiro, tornando muitas destilarias ociosas.

Etanol de milho e as oportunidades para o Centro Sul

Assim, abre-se uma enorme possibilidade para suprir a demanda de etanol utilizando o milho. A tecnologia StarchCane®, desenvolvida pela Fermentec, permite às destilarias do Brasil produzirem etanol de milho e cana de forma paralela e apresenta vantagens em relação ao método tradicional, utilizado nos Estados Unidos e Canadá.

No processo convencional a fermentação dura de 55 a 65 horas. É preciso propagar levedura diariamente e a destilação é feita com sólidos em coluna específica. Já o StarchCane® utiliza o creme de leveduras da fermentação da cana e seu excedente é inoculado na fermentação. Por isso, a fermentação é mais rápida e leva de 20 a 30 horas. Os sólidos são removidos antes da destilação, então pode ser usada a mesma coluna do etanol de cana para a destilação.

Uma das grandes vantagens econômicas do etanol de milho é seu subproduto, o DDGS. Apesar de ser chamado de subproduto, o DDGS possui alto valor agregado. Rico em proteínas, é amplamente utilizado em ração animal para bovinos, suínos, aves e peixes e pode substituir 100% do farelo de soja e 50% do farelo de milho na fabricação da ração.

Da produção nacional de milho, 43% corresponde ao centro oeste, 30% à região sul e 13% ao sudeste. Além da matéria-prima disponível no centro sul, é possível “interceptar” a carga com origem no centro oeste em seu caminho ao porto de Santos, reduzindo os custos com o frete. Assim, estados como São Paulo e Paraná podem elevar a produção de etanol e ainda vender o DDGS para a pecuária destes estados que têm grande peso no cenário econômico nacional “É um processo totalmente flexível em todos os sentidos. O retorno dos investimentos pode chegar em até 1,5 anos. Possui  menor capex  e opex quando comparados aos processos mais eficientes existentes. Ou seja, é uma tecnologia extremamente atrativa”, conclui Godoy.

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