Webmeeting Fermentec 2021 direciona os caminhos para a próxima safra

Toda a evolução do setor sucroenergético das últimas safras e o que deve estar no foco das usinas para a próxima que se inicia estiveram em debate durante o Webmeeting Fermentec 2021/22 Reunião Início de Safra. O evento online, realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro, teve quase 1200 participantes inscritos e mais de dois mil visitantes que puderam assistir as palestras de profissionais da Fermentec e convidados que deram um panorama sobre o ano de 2020 e a tendência para a safra 2021/22.

Um dos destaques do Webmeeting foi o desenvolvimento tecnológico e humano, os quais têm papel central no crescimento do setor em seu protagonismo no cenário mundial. Hoje, o etanol brasileiro é a energia mais limpa do mundo e nossos processos de produção de açúcar estão bem mais robustos para aproveitar esse período de preços favoráveis nunca antes visto na história.

Para que as usinas iniciem a safra com o pé direito, o Webmeeting Fermentec oferece todo o conhecimento técnico que será determinante para garantir o sucesso do setor.

Confira como foi o Webmeeting Fermentec 2021/22 Reunião Início de Safra

Abrindo o Webmeeting Fermentec 2021/22 Reunião Início de Safra, Henrique Vianna de Amorim, fez uma reflexão sobre o nível de equilíbrio, que deve estar presente tanto na vida pessoal quanto nas empresas. É a relação entre segurança e liberdade. As empresas desejam manterem os empregos, a receita e o valor, esperam ter segurança. No entanto, a liberdade também é importantíssima para a inovação. É com esse foco na inovação que a Fermentec oferece este grande evento a todo o setor sucroenergético.

O presidente da Fermentec, Henrique Berbert de Amorim Neto, destacou na abertura a resiliência do setor na safra passada diante de tantos desafios impostos pela pandemia. Amorim Neto reforçou como é importante pessoas e empresas estarem qualificadas e preparadas para mitigar os impactos causados em situações de crise e também para inovarem, o que torna os processos mais eficientes. Dois exemplos disso são as novas tecnologias para produzir biodiesel a partir da vinhaça e o desenvolvimento de leveduras geneticamente modificadas, que estarão entre os assuntos do Webmeeting “aproveito essa oportunidade para reconhecer a resiliência dos profissionais do setor sucroenergético na safra que não mediram esforços para produzir açúcar e etanol em meio a tantas dificuldades”, concluiu Amorim Neto.

O negócio só se justifica quando há clientes. Esse é um dos mantras de Guilherme Nastari, da Datagro. E quanto a isso, o histórico e projeções não deixam dúvidas que o setor se mantém numa crescente “vivemos hoje a quarta onda de expansão do setor com o RenovaBio, após a primeira em 1500 com a cana para produção de açúcar, em 1970 com o Próálcool e em 2002 com os veículos flex”, afirmou Nastari. Cada vez se produz mais cana em menos tempo e o açúcar no ano passado se beneficiou com o melhor preço da história. O setor nunca esteve tão bem posicionado, não há nada mais ESG do que o etanol brasileiro “nosso produto é limpo, tem tecnologia, gera renda e entrega resultados”, concluiu Nastari.

Raphael Bertanha Souto de Morais, da Associação Control Union Certificates, apresentou toda a trajetória do RenovaBio desde 2017 com a lei e o decreto que iniciaram o programa no Brasil até 2020, ano em que as usinas já estavam emitindo os CBios. Apesar dos problemas causados pela pandemia, o programa cumpriu as metas que estavam previstas para o biênio 2019/20. Em janeiro eram 13 empresas certificadas e no final do ano o número chegou a 239 com a emissão de mais de 18 milhões de Cbios no período. 2021 será promissor para esse mercado, já que levando em conta a quantidade de Cbios gerada em janeiro e o estoque o número já corresponde a 26% da meta para o ano.

Ainda sobre as expectativas para 2021 do programa RenovaBio, Caroline Perestrelo, do Santander, explicou o papel do banco desde a produção da matéria-prima, passando pela certificação da produção do biocombustível até a negociação do Cbio. A meta para a descarbonização para 2021 é de 24,9 milhões de Cbios e para 2022 é de 34,2 milhões em créditos. De acordo com Caroline, a tendência é que a meta seja cumprida, mas com expectativa de manutenção de preço e aceleração do ritmo no segundo semestre. A visão do banco é que o RenovaBio é muito rico, com grande nível de governança, mas que se deve enfrentar o desafio de construir um mercado mais robusto.

Rudimar Cherubin e Claudemir Bernardino, da Fermentec, fizeram um retrato do desempenho das unidades clientes por meio de 50 índices avaliados no benchmarking. Cherubin iniciou com um panorama das safras de 2017 a 2021 na agrícola, que sofreu impacto do clima com estiagem prolongada que provocou déficit hídrico, além da ocorrência de incêndios, que prejudicam a qualidade da cana. Os períodos de seca, por outro lado, contribuíram para a redução das impurezas vegetais e minerais na cana. Outro ponto positivo foi o aumento do ATR, o que representou uma maior produção de açúcar e etanol. Já Claudemir Bernardino falou sobre as características em relação à parte industrial. O RTC avançou em 1% (p.p.) quando comparado com a safra 2017, proporcionando dessa forma um ganho de R$ 263 milhões para os clientes Fermentec. Isso tudo em consequência da diminuição das perdas determinadas e indeterminadas, sendo a extração e as águas residuais os setores de maior evolução, já que o RGD foi ligeiramente impactado pelo Mix mais açucareiro.

As alterações e melhorias em boletins com os indicadores agroindustriais dos clientes Fermentec foram apresentados por Eder Silvestrini e Luiz Anderson Teixeira. O boletim de médias semanais é um raio-x dos processos industriais, fundamental para definir as estratégias da usina. Silvestrini apresentou um novo parâmetro, o aproveitamento de moagem, relacionado principalmente às decisões de início de safra para unidades com mais de um conjunto de extração, levando em conta a programação. Foram apresentados também correlações de clientes com dados do manitol e do ácido lático, que se mostram bons indicadores de degradação da cana e contaminação na fermentação, além de cases de sucesso de unidades que utilizam a tecnologia de infravermelho próximo (NIR) para as mais diversas amostras e parâmetros. Já Luiz Anderson destacou o índice de monitoramento da fábrica de açúcar, obtido com a pureza e a acidez do mel final, que vem apresentando relações interessantes com outros parâmetros, um ótimo indicativo das condições de trabalho da fábrica quanto a degradação de açúcares.

Abrindo as palestras técnicas do segundo dia, Claudemir Bernardino e André Ferrisse apresentaram os dados comparativos do ART entrado. A Fermentec monitora a quantificação do açúcar pelos métodos da prensa e digestor. Ferrisse apresentou dados de uma pesquisa feita com 32 usinas entre 2016 e 2020 e os resultados evidenciaram que há diferença entre o ART da prensa e do digestor. A utilização de novas tecnologias, extrator quente e frio e cromatografia, têm contribuído efetivamente para a quantificação real do ART. Por fim, a Fermentec recomenda a permanência do método do digestor para balanço de ART e eficiência industrial e a prensa para pagamento de cana.

Paulo Roberto Vilela mostrou como sistemas automáticos impactam na elevação do teor alcoólico na fermentação. No preparo do mosto (controle de brix, de vazão, de temperatura), CIP e diagrama de ocupação, as usinas que utilizam sistemas automáticos conseguem atingir teores alcoólicos maiores do que as que utilizam controles manuais. Vilela apresentou o case de uma usina que em três anos economizou mais de R$ 6 milhões com custos de vinhaça, vapor, água e ácido aumentando o teor alcoólico com automatização de processos.

O que acontece com a ocupação da fermentação ao reduzir a produção de etanol? Como definir o volume da dorna? Quantas dornas devo alimentar simultaneamente? São algumas questões que entram na definição das estratégias operacionais na fermentação e exigem um acompanhamento detalhado do processo. Fernando Henrique Giometti, da Fermentec, mostrou um case de como o GAOA monitora o tempo de fermentação, tempo de alimentação, tratamento do levedo e recuperação do CO2. O GAOA enxerga mais de 200 parâmetros em tempo real e devolve os principais pontos de controle. Análises estatísticas são utilizadas para identificar rapidamente padrões consistentes e gerar mapas de performance. É um ciclo de otimização que produz resultados mais rápidos com maiores rendimentos.

Osmar Parazzi Junior encerrou o conteúdo técnico do Webmeeting Fermentec falando sobre soluções para uma grande dor de cabeça das usinas: a floculação, causada principalmente pelas leveduras selvagens. Entre os clientes Fermentec, a utilização de leveduras Personalizadas é a principal forma de combater a floculação, que nestas unidades costumam ter um índice de aglomeração de até 10%, considerado inexpressivo no processo. Para chegar a essas leveduras Personalizadas, selecionadas no processo da própria usina, é fundamental fazer monitoramento da dinâmica populacional de leveduras com cariotipagem e DNA mitocondrial e utilizar na fermentação junto com as selecionadas. O RGD (Rendimento Geral da Destilaria) teve uma evolução significativa, saindo de 88% 2012 para 91% em 2020.

Claudemir Bernardino fez o encerramento do Webmeeting Fermentec Reunião Início de Safra destacando a atenção que o setor deve ter com o avanço tecnológico, a automação e, principalmente, com a inteligência artificial para o avanço de rendimento no processo de fermentação. Segundo Bernardino, sete unidades vão iniciar a safra com o GAOA, o que demonstra a evolução pela qual o setor está passando com essas ferramentas digitais, que já é realidade nas operações das unidades “no entanto, os bons preços de hoje para o açúcar e as perdas muito bem controladas, intensificam a demanda com qualificação das pessoas e investimentos nas tecnologias de ponta, visando a expansão do nosso setor” finalizou Bernardino.

Prêmio Excelência ocorreu de forma inédita

O Prêmio Excelência Fermentec sempre foi entregue durante a Reunião Anual para as usinas que se destacaram em suas categorias em um momento festivo. As homenagens de 2020 chegaram um pouco atrasadas, mas foram feitas durante esta edição do Webmeeting de uma maneira diferente. Em vez da entrega no palco de forma presencial, as homenagens foram enviadas pelos Correios a todos os agraciados e agraciadas, que mandaram suas fotos com os prêmios para o anúncio durante o evento. Fernando Ré, da Fermentec, mestre de cerimônias do Webmeeting, agradeceu toda a colaboração que teve para enfim fazer as premiações de 2020 “enfrentamos desafios com os Correios, tivemos feriado, mas deu tudo certo e todos os premiados receberam a homenagem e colaboraram com o mais absoluto sigilo para que o público soubesse apenas durante o Webmeeting. Agradeço ao time da Fermentec, a Suely, Adriana e Marta que correram contra o tempo para fazer os envios para que tivéssemos esse momento tão especial”, afirmou Ré.

Confira quem foram os homenageados e homenageadas com o Prêmio Excelência Fermentec 2020:

Na revista do Webmeeting Fermentec você encontra artigos, reportagens e informações complementares às palestras do evento.

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