Antibacterianos e o paradigma de seu real valor para a fermentação alcoólica

1 – Introdução

Uso de antibacterianos na fermentação alcoólica

O uso consciente de todos os insumos utilizados na fermentação é uma tarefa que se faz necessário para alcançar um custo mínimo na produção do etanol, e com isto, atingir um lucro maior na venda deste produto.

Desta verdade, todos nós sabemos! Mas qual a melhor forma de realizar esta tarefa?

Em sua maioria, ao perguntar isto aos gestores da destilaria, o primeiro insumo que vem de resposta é a redução na aplicação do antibacteriano, ou antibiótico (dependendo da região, a nomenclatura pode mudar).

Talvez está resposta se deve ao preço, em R$/Kg deste insumo, que gera uma ideia de insumo caro, tendo em referência os demais insumos como ácido sulfúrico, que custa 0,003% do preço do antibacteriano, ou do Dispersante, que custa 10% do preço do antibacteriano (cálculos tomados como média de preço na safra 2020/21), como exemplos.


Mas, e o retorno financeiro na aplicação destes insumos para a fermentação?

A discussão em cima deste assunto pode esclarecer melhor a diferença entre o preço e o valor de cada insumo.


Preço, é o que pagamos pelo produto, valor, é todos os benefícios e resultados que a aplicação nos devolve, após o investimento pago no preço.

2 – Floculação/Aglomeração e interferência no custo operacional

Milene Antonio (2016) descreve que a floculação do fermento tem interferência direta no desempenho fermentativo e, consequentemente, as condições operacionais. Com a aglomeração das células de levedura ocorre a sedimentação da massa de fermento, impedindo a distribuição uniforme das céluas pelo tanque fermentador (Dornas) resultando em sobra de açúcares fermentescíveis no vinho, consequentemente causa o aumento no tempo de fermentação e interferência na eficiência do processo de centrifugação devido o entupimento dos bicos das máquinas, dificultando a concentração do fermento a ser tratado.

Esta dificuldade na concentração do fermento resulta em um maior volume de vinho retornando para as cubas de tratamento, causando um maior efeito tamponante no fermento, o que prejudica o tratamento ácido, podendo causar queda na viabilidade do fermento, prejudicando ainda mais o processo fermentativo, interferindo diretamente em seu rendimento.

O cálculo de prejuízo financeiro referente a queda na viabilidade do fermento nem sempre é realizado pelas unidades produtoras. Em uma estimativa para calcular este prejuízo, podemos utilizar o valor de ART e a conversão de ART em biomassa de fermento, que aqui, estaremos usando a correlação de 1,5Kg de ART para 1Kg de biomassa de fermento massa úmida (M.U.).

Tomando como exemplo um fermentador de 500m³, com 150m³ de fermento (30% de concentração) com 90% de viabilidade, e o valor do ART em R$1,178/Kg (1L Et.Hidratado = 1,74Kg ART, 1L EH = R$2,05), se houver uma queda de 10% na viabilidade, devido ao problema com o tratamento ácido, que teve seu inicio a floculação do fermento pelas bactérias, ou seja, morte de 4.500Kg de fermento M.U., o custo para reposição desta quantidade de fermento, em relação ao consumo de ART que será desviado para esta finalidade, será de R$5.301,00/fermentador.

Se a unidade possui 6 fermentadores de 500m³, o volume de fermento que deverá ser reposto, utilizando o ART que seria destinado para a produção de Etanol, seria de 27.000Kg, para retomar a viabilidade de 90%. Um custo de R$31.806,00.

3 – Defloc QR e ação contra a aglomeração/floculação causada pela contaminação bacteriana

A Química Real fornece antibacterianos que possuem ações específicas para o controle da contaminação bacteriana causadora da aglomeração das células de fermento.

O uso destes antibacterianos, de acordo com a indicação do fornecedor, evitam que este tipo de aglomeração resulte em prejuízos como o citado acima.

O Defloc QR é um exemplo deste tipo de antibacteriano. Possui em sua formulação um tensoativo, de origem natural, com ação bactericida e de alto poder desfloculante, combinado com o melhor princípio ativo, também de ação bactericida, utilizado no setor sucroenergético.

A aplicação correta, de acordo com as características do antibacteriano, e população bacteriana presente na fermentação, no momento do tratamento, resulta na redução da população bacteriana e concentração dos ácidos orgânicos, além da rápida dispersão do fermento na dorna (fermentador), conforme mostrado nas fotos abaixo, durante o teste de aglomeração (Redução de 50% de aglomeração para 2%).

Foto 01 – Antes da aplicação do Defloc QR Foto 02 – Após a aplicação do Defloc QR

O investimento, aproximado, para o tratamento com o Defloc QR, neste exemplo de fermentação estudado (6 fermentadores de 500m³) pode variar entre R$3.800,00 a R$9.000,00, dependendo da população bacteriana a ser controlada.

Portanto, em um caso extremo, o investimento no tratamento será de apenas 28% do prejuízo que a unidade produtora iria ter com a redução da viabilidade de 90 para 80%. Esta comparação está levando em consideração apenas o valor a ser gasto para a reposição da biomassa de fermento que morreu.

Como já é de conhecimento, a contaminação bacteriana elevada também causa outros problemas operacionais como desvio de ART para a produção de ácidos orgânicos (Láctico e acético, como principais), maior produção de glicerol pelas leveduras, que também é um desvio de ART, maior ART residual no final da fermentação, redução na produção de etanol, elevação no consumo de ácido sulfúrico e outros insumos, entre outros problemas que elevam o prejuízo financeiro.

4 – Conclusão

O uso correto e consciente dos antibacterianos é um investimento para evitar prejuízos financeiros, que reduzem o lucro obtido na venda do Etanol.

Observação: Todos os cálculos apresentados neste estudo foram baseados nos preços da safra 2020/2021.

Referência Bibliográfica:

ANTONIO, M. B. – Floculação: leveduras x bactérias – Estudo de caso mostra a identificação da causa da floculação em uma unidade. Novembro 2016. Artigo científico – Portal FT, http://www.portalft.com.br/2016/Novembro/1180/floculacao-leveduras-x-bacterias

A empresa Química Real é patrocinadora do Webmeeting Fermentec 2021/22 Reunião Início de Safra

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Antimicrobianos naturais: tecnologias seguras e eficazes contra a contaminação em usinas

Um grande desafio enfrentado pelos produtores de etanol é a presença de bactérias contaminantes e seus efeitos negativos sobre a eficiência da fermentação. O açúcar consumido por estas bactérias é desviado da produção de etanol e convertido em outros subprodutos, que inibem o crescimento e metabolismo das leveduras, o que leva à redução do rendimento alcoólico da fermentação. Neste cenário, produtos antibióticos são largamente utilizados na indústria de etanol como meio de combater os problemas causados pela contaminação bacteriana, porém o uso destes compostos vem se apresentando como um problema em função de seus impactos nos subprodutos da cadeia produtiva do etanol, seja ele de cana-de-açúcar, milho ou outras fontes cereais. Uma das estratégias para mitigar os impactos negativos dos antibióticos é o uso de antimicrobianos naturais, que não causam resistência nos microrganismos, nem deixam residual ao final do processo.

Os principais contaminantes encontrados nas plantas de produção de etanol englobam espécies de bactérias tanto Gram-positivas quanto Gram-negativas, com maior destaque e prevalência dos lactobacilos – ou bactérias ácido-láticas – pertencentes ao primeiro grupo. Estas bactérias se desenvolvem em uma ampla faixa de temperatura e pH, principalmente nas condições da fermentação alcoólica, são altamente resistentes às concentrações de etanol, têm uma taxa de crescimento elevada, e competem com a levedura pelo substrato, além de gerar metabólitos, como o ácido lático, que impactam diretamente no rendimento em etanol. Uma redução de apenas 1% na produção de etanol é altamente significante para as destilarias, uma vez que, em plantas de grande porte, isso pode significar a perda de milhões de reais por ano.

Os antibióticos, apesar de serem a alternativa mais comum utilizada atualmente para o combate a esse fenômeno, podem se tornar um problema, visto que deixam residual nos subprodutos da produção de etanol, como a vinhaça, que é usada para fertilização da lavoura, contamina lençóis freáticos e pode chegar até o ser humano; e o DDGS (Distillers Dried Grains with Solubles) ou WDGS (Wet Distillers Grains with Solubles), se tornando um potencial problema devido ao uso desse material na alimentação animal. Além disso, é muito comum a geração de resistência nas bactérias por parte desses produtos, fazendo-se necessário o aumento de doses e rotatividade de diferentes compostos para manter um controle microbiano satisfatório.

Uma solução efetiva para estes problemas podem ser os antimicrobianos naturais, obtidos muitas vezes a partir de extratos vegetais, que além de não gerarem resistência nas bactérias, não deixam residual nos subprodutos como a vinhaça irrigada ao solo e materiais destinados à alimentação animal, como o DDGS e o WDGS, obtidos na produção de etanol a partir de milho. Os antimicrobianos naturais e suas combinações podem apresentar amplo espectro de atividade sobre diversas espécies de bactérias e faixas de pH, alta efetividade em baixas concentrações e um efeito muitas vezes mais bactericida do que bacteriostático.

Atualmente, é muito popular a utilização de extratos derivados do lúpulo como alternativa aos antibióticos. Utilizado por séculos na indústria cervejeira como conservante, o extrato de lúpulo possui forte ação contra bactérias Gram-positivas, interfere na absorção de nutrientes, e ocasiona a redução da taxa de crescimento e multiplicação dos contaminantes, causando sua morte. Esses compostos vegetais derivados de lúpulo são considerados uma alternativa segura aos antibióticos, por não serem perigosos para a saúde humana e animal. A linha BioMax T, composta por extratos de lúpulo, foi desenvolvida pela Prozyn exclusivamente com foco em combater a contaminação bacteriana nas dornas, aumentando assim a eficiência fermentativa das leveduras e elevando o rendimento em etanol, além de proporcionar subprodutos de maior valor agregado e sem residual de compostos antibióticos ou químicos.

Um dos produtos naturais desenvolvidos pela Prozyn, especialmente para esse propósito, é o BioK, um composto obtido a partir da fermentação de uma cepa de Lactococcus Lactis, que tem efetiva ação sobre os principais contaminantes da fermentação alcoólica, inclusive sobre a Leuconostoc mesenteroides e esporos de bactérias, promovendo a ruptura da parede celular e consequentemente sua morte. Seu mecanismo de ação está ligado à danificação da parede celular da bactéria, que aumenta a permeabilidade de íons e causa perda de energia e aminoácidos, o que resulta em morte celular. O BioK possui estabilidade em ampla faixa de temperatura e pode ser aplicado em diversos pontos do processo.

Outra solução Prozyn para o controle da contaminação é o Biozyn F100, um produto seguro, amplamente utilizado na indústria alimentícia, constituído por ingredientes biológicos, em especial enzimas e bacteriocinas, que atuam diretamente sobre as bactérias sem afetar a viabilidade das leveduras. Além de ser completamente natural, o Biozyn F100 possui certificação orgânica, o que garante o controle microbiano da fermentação em processos de produção de etanol orgânico, onde não podem ser utilizados produtos químicos ou sintéticos. O etanol orgânico vem ganhando força dentro de um cenário de sustentabilidade e preservação da biodiversidade, com ampla utilização nas indústrias de alimentos e cosméticos com claim orgânico, que são opções mais saudáveis para o consumo humano e para o meio ambiente por serem livres de agrotóxicos e outros produtos nocivos.

Todas as linhas de antimicrobianos naturais da Prozyn agem com alta eficiência nas condições do processo de produção de etanol, não geram resistência nas bactérias, não sendo necessária a rotatividade de produtos, e ainda proporcionam subprodutos como vinhaça e DDGS/WDGS livres de resíduos antibióticos ou químicos.
A ocorrência de contaminantes bacterianos nos processos de produção de etanol em escala industrial ainda é inevitável, porém, a aplicação correta de antimicrobianos naturais surge como uma efetiva solução para a redução da carga microbiana presente nos meios fermentativos, o que resulta em significantes ganhos para os produtores e maior valor agregado aos subprodutos destinados ao consumo animal e humano.

Diego Oliveira – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação – Prozyn Biosolutions

A empresa Prozyn é patrocinadora do Webmeeting Fermentec 2021/22 Reunião Início de Safra

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Redes neurais artificiais e NIRS: inteligência artificial no laboratório 4.0 das usinas

Redes Neurais Artificiais são métodos de calibração bem estabelecidos com vantagens explícitas na modelagem de bancos de dados grandes e complexos. O princípio básico da ANN será apresentado e o ‘poder’ das ANN exemplificado por um estudo de caso sobre a previsão de Cor em amostras de Açúcar utilizando o NIRS DS2500 da FOSS.

Douglas Beletti e Vinícius Passos, CETEC Equipamentos, 2021.

Do cérebro para o computador

A inspiração original para o desenvolvimento de redes neurais artificiais veio da neurociência. Os neurônios do cérebro estão conectados por meio de redes complexas e esse conceito foi a inspiração para a Rede Neural Artificial como uma analogia à rede neural biológica humana. O cérebro humano possui habilidades extraordinárias de reconhecimento de padrões com respeito ao mundo ao nosso redor; com base na entrada para os sentidos transmitidos ao cérebro, as decisões são tomadas e os padrões são discernidos e reconhecidos com grande confiança. Por outro lado, é muito difícil para o cérebro humano extrair informações qualitativas e, especialmente, quantitativas sobre parâmetros em amostras utilizando os espectros NIR – nesses casos, as Redes Neurais Artificiais farão um excelente trabalho.

Figura 1. Espectros NIR de amostras de Açúcar Bruto coletados no NIRS FOSS DS2500.

Network design

Uma rede neural pode ter vários designs; como exemplo, vamos nos concentrar nas chamadas redes de duas camadas pro-alimentadas que incluem a) entradas, b) uma camada oculta e c) uma camada de saída – consulte a Figura 2 (as entradas não contam como camadas na terminologia ANN). Os neurônios de entrada – primeira camada de neurônios ou unidades – representam simplesmente os valores espectrais registrados; no caso de espectros de transmissão NIR de açúcar, temos registros para cada 0,5 nm de 400 nm a 2500 nm correspondendo a 4200 dados de entrada. Diferentes métodos de pré-processamento podem ser aplicados antes de alimentar os espectros na rede; não os descreveremos aqui, mas enfatizaremos que o pré-processamento inteligente é essencial para obter modelos robustos e de bom desempenho; na FOSS, usamos um estágio de pré-processamento matemático proprietário antes que as calibrações de rede neural artificial sejam desenvolvidas.

Figura 2. ANN simplista onde cada círculo representa um neurônio; neste exemplo, três neurônios ocultos são usados e apenas quatro entradas (representando variáveis espectrais) com uma saída (cor). Todas as conexões são direcionadas da entrada para a saída.

Determinação de cor no açúcar utilizando redes neurais artificiais

Ao utilizar modelos de previsão baseados em redes neurais artificiais abrimos a possibilidade de lidar com problemas não lineares e também utilizar o sistema de agrupamentos de padrões para prever com maior acurácia em uma calibração local, global ou também com diferentes produtos – o que chamamos aqui de multi-product calibration. Aqui avaliaremos a previsão do parâmetro COR em amostras de diferentes tipos de açúcar, contemplando VHP, Cristal, Amorfo e Granulado e comparamos a capacidade dos modelos ANN modelar não linearidades em relação ao mPLS e suas performances a partir dos valores RMSEP (Erro Padrão de Previsão) em comparação com os modelos locais, também nos dois algoritmos.

Banco de dados

É extremamente importante ter o máximo de variação relevante representada em seu banco de dados de calibração para obter previsões robustas e precisas, bem como para garantir a estabilidade ao longo do tempo.

O banco de dados FOSS/CETEC utilizado para confecção do modelo apresenta as seguintes características:

  • Mais de 25.000 amostras de açúcar;
  • Amostras coletadas em diferentes regiões ao longo de 5 safras com diferentes processos, geografias e sazonalidades;
  • Diferentes tipos de açúcar entre eles VHP, VVHP, Cristal, Refinado Amorfo e Refinado Granulado;
  • Faixa de 10 a 2000 UI;
  • Diferentes instrumentos NIRS DS2500.

Desenvolvimento do modelo & previsão

O modelo ANN foi treinado com as 25.000 amostras do banco de dados para obter a configuração ideal de todos os pesos na rede – como descrito, esta é uma tarefa complexa, mas pode ser facilmente realizada pelo computador. Quando ANN é treinada, os pesos são fixos e temos um modelo onde conhecemos todas as configurações e agora é fácil realizar a previsão da cor para uma nova amostra. O espectro é registrado (50 segundos) e inserido na arquitetura da ANN com os pesos treinados. Por pré-processamento, multiplicação, adição e transferência de função não linear desses dados de entrada, obtemos uma estimativa do conteúdo de cor da amostra analisada. Na Figura 3, o modelo é avaliado no conjunto de teste independente cobrindo todas as variações possíveis e também comparado com os diferentes tipos açúcares e seus modelos locais. O valor RMSEP (Erro Padrão de Previsão) varia de acordo com o tipo de açúcar e faixa de cor conforme método ICUMSA e tanto localmente quanto globalmente os modelos ANN apresentam melhor performance.

Figura 3. Valores de RMSEP para os modelos mPLS e ANN locais e globais para os diferentes tipos de açúcar.

Os modelos lineares não são capazes de lidar com esses dados não lineares e terão um desempenho muito inferior que o modelo ANN como podemos visualizar nas regressões da figura 4.

Figura 4. Regressão para dados não lineares nos modelos mPLS (esquerda) e ANN (direita).

Conclusão

As redes neurais artificiais são muito eficientes para a extração de informações quantitativas de grandes bancos de dados espectroscópicos onde a não linearidade é inerente devido a complexas variações biológicas, ambientais e instrumentais. A base para um modelo de ANN de bom desempenho é um banco de dados abrangente que contemple todas as variações relevantes e ferramentas de modelagem eficientes e otimizadas. A combinação de ANN e um banco de dados bem estruturado oferece maior robustez, estabilidade e por último, mas não menos importante, precisão. Os modelos globais ANN possuem várias vantagens sobre os modelos locais mPLS em relação ao monitoramento do processo: [1] a implementação dos modelos globais ANN permitem uma simples manutenção de calibrações porque apenas um modelo por parâmetro de qualidade teria que ser mantido. [2] a implementação permite uma estimativa mais precisa dos parâmetros de qualidade e, portanto, um melhor monitoramento do processo.

A empresa Cetec é patrocinadora do Webmeeting Fermentec 2021/22 Reunião Início de Safra

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Sistema BAC CEN 20-14: controle bacteriano na fermentação para redução de custos, acidentes e contaminação do solo

Acidez e fermentação

A fermentação alcoólica é a parte mais complexa no processo produtivo de etanol. Os parâmetros de processos devem ser mantidos dentro de faixas mínimas possíveis ou em intervalos restritos que possibilitem o máximo aproveitamento do substrato (glicose) em etanol. Dentre vários controles que devemos ter durante a fermentação alcoólica temos três que consideramos os mais importantes e que interferem diretamente no processo fermentativo: temperatura, grau alcoólico e acidez.

A temperatura deve ser controlada entre 30ºC e 35 ºC e, para que isso aconteça, é preciso ter estrutura eficiente para o resfriamento nas dornas, de forma a dissipar toda a energia térmica gerada pelo processo fermentativo. Essa é uma questão de investimento em um projeto que é adequado a cada instalação e sua capacidade produtiva.


O grau alcoólico é um mal necessário, pois quanto maior, melhor será a produção e, consequentemente, teremos os custos mais diluídos. Hoje existem plantas industriais trabalhando com teores alcoólicos acima de 12,5ºGL. Isso só é possível graças ao desenvolvimento de novas cepas resistentes a tais condições do processo, o que já é nossa realidade.

A acidez é, dos três, o parâmetro que mais toma tempo, atenção e preocupação, pois sua formação se inicia no campo e vai se acumulando em vários pontos de contaminação nas diferentes etapas do processo produtivo. Além de prejudicar a fermentação, consome substrato que seria destinado a produção de etanol. Como se não bastasse toda essa preocupação, a prática usual da dosagem de ácido sulfúrico, como bactericida e/ou defloculante, vai de encontro a todas precauções anteriores. A acidez sulfúrica traz enormes prejuízos para fermentação, gerando estresse desnecessário, e como consequência, redução de rendimento fermentativo devido à sistemas de proteção celular que a levedura se obriga a fazer. Além do prejuízo em rendimento, os níveis de enxofre são aumentados na vinhaça utilizada na fertirrigação, elemento químico que vem sendo monitorado pelos órgãos ambientais e devem ter sua emissão cada vez mais restrita.

Com o tratamento, podemos trabalhar com pH nas cubas entre 3 e 3,5. Isso é possível graças ao desenvolvimento de um bactericida que tem sua atividade, em pH, mais elevada que os atuais no mercado. Assim, depende somente da dureza existente no mosto, que pode promover uma floculação indesejada.

Figura 1 – Processo e Fisiologia da Levedura. Fonte: Fermentec

O sistema BAC CEN 20-14 tem como ativo o oxigênio reativo, um potente bactericida orgânico que destrói a membrana celular das bactérias mantendo níveis de contaminação em 10e5 ou 10e6 baixa. É normal encontrar fermentações trabalhando com 10e7 ou 10e8 bactérias/ml., e só então é realizado o tratamento em bateladas. Quando se utiliza clorito de sódio (dióxido de sódio), os volumes necessários de bactericida são muito elevados para que retomem à níveis aceitáveis de contaminação. O que aparentemente estaria sendo uma economia, na verdade gera perdas de rendimentos e estresse. O tratamento é contínuo e, após ter total controle sobre a fermentação, é ajustado para dosagem mínima, ou de manutenção, trazendo uma redução de custo e benefícios, tanto em rendimento como em vitalidade celular, para uma fermentação saudável.

Figura 2 – Dosador BAC CEN 20-14

Conclusão

O sistema BAC CEN 20-14 é capaz de controlar efetivamente a contaminação bacteriana em ambiente industrial, além de não deixar resíduo na fermentação e ampliar o rendimento da produção. A diminuição do uso de ácido sulfúrico também diminui a ocorrência de acidentes de trabalho e ambientais, tais como a necessidade frequente de correção do solo.

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BUCHI – Tecnologia NIR com detector VISível integrado

A tecnologia de infravermelho próximo (NIR) vem sendo utilizada para as mais diversas aplicações, desde controle de produtos alimentícios até análise de produtos farmacêuticos. Na indústria sucroalcooleira análises de produtos como mostos, melaços, xaropes, bagaços, açúcares, entre outros, controlam o processo de forma rápida e eficaz, aumentando a quantidade de análises diárias ou até mesmo monitorando em tempo real os parâmetros mais importantes.


Nos últimos anos, os equipamentos NIR modernizaram-se e, além de uma leitura rápida de apenas 15 segundos, com preparo mínimo ou inexistente da amostra em laboratório ou até mesmo em tempo real, possuem a combinação de detectores NIR, já conhecidos pelo mercado, com a faixa estendida do VIS (visível) integrada. Desta forma, as medições de cor e outros parâmetros, que se beneficiam desta característica, passam a ser realizadas diretamente na amostra sólida (ex.: açúcar) sem a necessidade de preparo, com uma robustez do modelo de calibração bem diferenciada e que é considerada ideal pelas Usinas que já adotaram a tecnologia em suas rotinas.

O estudo realizado pela BUCHI utilizou o equipamento NIR ProxiMate™, que pode ser utilizado no laboratório ou em ambientes produtivos e que contém as faixas NIR e VIS integradas para medições simultâneas. Foram utilizadas amostras de açúcar VHP nos testes e, com isso, realizamos as calibrações e validações, utilizando apenas a faixa NIR e com NIR e VIS combinadas.

Como pode ser observado na tabela acima, a correlação em ambos é satisfatória (> 0.80), porém, 15 pontos de cor foram diminuídos no desvio padrão (SEC), quando utilizamos um modelo de calibração com as faixas NIR e VIS integradas. Para verificação efetiva realizamos um trabalho de validação com 265 amostras para uma avaliação prática. Com esta amostragem conseguimos observar um desvio padrão (NIR + VIS) ainda melhor se comparado ao modelo de calibração criado, mantendo uma correlação ainda muito boa, como pode ser observado no modelo e tabela abaixo.

Vale ressaltar que a mesma tecnologia também pode ser empregada em processo com os sensores BUCHI NIR-Online®. Esta solução já vem sendo adotada em algumas Usinas no Brasil e no mundo. Com isso, a medição em tempo real será algo possível também no açúcar em suas bicas de jogos e esteiras com uma análise sem contato direto com o produto. É perceptível que esta solução trará um benefício ímpar ao setor e que, além de realizar a medição do parâmetro cor, que é um dos principais no controle, também poderá medir de maneira simultânea outros, tais como: POL, umidade e cinzas, dos quais outras tecnologias dedicadas não permitem realizar com um único sensor.

Iniciamos também um estudo com base na avaliação do teor de cinzas, que verifica o teor de impurezas (terra, areia, etc.) existentes na composição do produto que, geralmente, são provenientes da colheita da cana-de-açúcar. A não conformidade está relacionada a coloração mais escura do produto e seu aspecto arenoso. Devido à essa característica do produto estar relacionada ao teor de cinzas, analisar este parâmetro utilizando as faixas NIR e VIS simultaneamente vem agregando de maneira positiva os modelos de calibração existentes, permitindo assim uma melhor correlação e desvios padrões ainda melhores se comparado ao uso desta medição apenas com a faixa NIR.

Desta forma, concluímos que a solução NIR com detectores VIS integrados, assim como o Proximate™ ou o NIR-Online® da BUCHI, permite ao setor sucroalcooleiro uma melhor precisão e produtividade no laboratório ou processo para medição dos parâmetros ‘cor’ e ‘cinzas’, que por sua vez irão permitir uma utilização ainda mais efetiva da tecnologia na rotina, além de também mensurar os demais parâmetros e produtos já conhecidos pelo setor com base na tecnologia NIR.

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Transformação de vinhaça em biodiesel é tema do Valor Econômico

Matéria do jornal O Estado de S. Paulo sobre a transformação de vinhaça em biodiesel com tecnologia da Fermentec

Tecnologia da Fermentec foi assunto no jornal Valor Econômico desta terça-feira, que mostra como a Usina da Pedra está transformando vinhaça em óleo para a produção de biodiesel. A levedura responsável pela transformação foi selecionada pela Fermentec no banco de micro-organismos da Universidade do Minho, de Portugal. Se a frota de tratores e colhedoras da usina fosse abastecida com biodiesel, uma planta padrão poderia substituir o consumo de diesel em 75%. Isso mostra o potencial desta fonte de energia alinhada com a sustentabilidade.

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A vanguarda da fermentação

A Fermentação alcoólica nas usinas está evoluindo graças às novas formas de controle, mais conhecimento sobre as leveduras e ferramentas de big data e inteligência artificial.

Nos últimos anos, o desenvolvimento tecnológico tem permitido reduzir o volume de vinhaça, minimizar as perdas de açúcares ao final da fermentação, melhorar as estratégias no controle da contaminação bacteriana e minimizar os desvios operacionais, conferindo maiores eficiências fermentativas a custos viáveis. Dentre os principais avanços estão questões relacionadas aos aspectos biológicos (leveduras selecionadas e Personalizadas), processos de produção (fermentação com alto teor alcoólico, diagrama de ocupação e automação) e gestão industrial (metodologias, métricas e dados).

A escolha da levedura

Há pouco tempo, o conhecimento sobre a diversidade genética das linhagens de leveduras industriais e contaminantes era baseado em perfis de cromossomos resultantes da técnica de cariotipagem, metodologia que trouxe um grande avanço para o monitoramento e seleção de leveduras (BASSO et al., 1994) e permitiu o desenvolvimento de quatro linhagens que são amplamente utilizadas pelas destilarias nacionais e internacionais e que, atualmente, respondem por 70% da produção de etanol no brasil.

Figura 01. Leveduras industriais selecionadas pela Fermentec.

A introdução das análises de DNA mitocondrial permitiu o uso de outra ferramenta biomolecular para avaliação da diversidade de levedura, bem como a distinção entre linhagens que acumulam rearranjos cromossômicos e as selvagens sem nenhum parentesco. Quando uma nova linhagem aparece e domina a população de leveduras em fermentadores industriais, ela tem o potencial para se tornar uma levedura personalizada (LOPES, 2000).

Linhagens personalizadas de leveduras têm sido selecionadas desde 2008 e estão sendo introduzidas na fermentação de 26 destilarias brasileiras nos últimos anos. Estas unidades produziram juntas mais de quatro bilhões de litros de etanol na última temporada.

Figura 02. Evolução do volume total de etanol produzido em cada Safra pelas destilarias que utilizaram leveduras Personalizadas selecionadas pela Fermentec (2008 a 2019).

Novas ferramentas para diagnóstico da contaminação na fermentação

Para acelerar a análise que até então levava de dois a três dias, a Fermentec desenvolveu na década de 80 o método de contagem de bactérias vivas ao microscópio com resultados em 15 minutos. Esta metodologia hoje está amplamente difundida nas destilarias no Brasil e no mundo, permitindo mensurar a contaminação bacteriana e impacto sobre o rendimento de fermentação (Amorim, 1981).

Devido aos efeitos nocivos dos contaminantes bacterianos nas fermentações industriais e a observação da coexistência de cepas com diferentes tipos de metabolismo em ambientes de fermentação, é importante mensurar os teores de ácido lático e manitol, juntamente com a contagem de bactérias, para melhorar o diagnóstico do processo e a tomada de decisão.

Isso significa que para um mesmo número de bactérias vivas por mililitro de vinho fermentado em duas destilarias industriais, as perdas de etanol devido a produção de metabólitos da atividade bacteriana podem ser diferentes, alterando a gestão das aplicações de antibióticos.

Figura 03. Correlação e regressão linear simples entre contagem de bactérias vivas ao microscópio (10^5 bast./mL) e ácido láctico no vinho (mg/L) em duas diferentes destilarias industriais.

Outra importante tecnologia que tem sido desenvolvida para complementar as análises tradicionais e ampliar a capacidade de monitoramento e rastreamento das bactérias é a metagenômica, técnica desenvolvida com base na análise direta do DNA dos microrganismos, sem a necessidade de cultivo. Através do sequenciamento e comparação dos resultados com bancos de dados internacionais, é possível fazer não só a identificação dos micro-organismos em diferentes táxons como também estimar a sua abundância relativa em cada amostra. Assim, já é possível identificar as espécies contaminantes da fermentação e direcionar os melhores antibióticos.

Figura 4. Diversidade, frequência relativa e flutuação na população de bactérias em uma fermentação industrial, por meio da análise de metagenômica.

ALTFERM – Fermentação de alto teor alcoólico

A tecnologia ALTFERM® baseia-se num conjunto de práticas e técnicas que permitem elevar o teor alcoólico das fermentações e, desta forma, reduzir os volumes de vinho a destilar e de vinhaça que fica mais concentrada em potássio. Com a tecnologia ALTFERM® é possível reduzir até 33% o volume de vinhaça elevando o teor alcoólico de oito para até 12%. Com as reduções no volume de vinhaça, consumo de diesel e de fertilizantes a base de potássio, o ALTFERM® reduz a intensidade de carbono e aumenta a nota de eficiência energético-ambiental.

Graças ao uso da cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) tem sido possivel monitorar os teores reais de açúcares residuais no vinho. Algumas unidades que fermentam a base de melaço e água têm trabalhado com teores extremamente baixos de açúcares residuais no vinho bruto (< 0,08%) e teores alcoólicos que ultrapassaram o limite de 12% em algumas semanas da safra 2019/20.

Figura 5. Resultados industriais de fermentação com teores alcoólicos que ultrapassaram o limite de 12% e com açúcar residual no vinho abaixo de 0,08% na safra 2019/20.

Automação no controle da fermentação

Processos fermentativos de alta performance necessitam de uma atenção especial quanto ao preparo do mosto, condução da alimentação, controle da temperatura de fermentação e procedimentos de CIP. É possível implantar um sistema de controle adequado a operação da planta industrial, levando em conta o uso otimizado dos equipamentos existentes, as características de entrada da matéria-prima, as leveduras e o teor alcoólico desejado, baseado no que é chamado de diagrama de ocupação.


A aplicação deste tipo de controle ao processo de enchimento promove uma melhor distribuição do açúcar no tempo aumentando o rendimento, com otimização da produção de álcool e redução dos custos de produção.

Figura 06. Influência da automação no desempenho dos clientes Fermentec na safra 2014/15.

GAOA – Gestão Avançada e Operação Assistida

A Fermentec desenvolve tecnologias para implantar a usina 4.0, em que todos os processos são automatizados e conectados, gerando dados que são armazenados na nuvem e analisados em tempo real por sistema de inteligência artificial.

Figura 07. Funcionalidades do GAOA.

• Monitoramento de processos em tempo real: a adoção de analisadores em linha com tecnologia NIR (Near Infrared Spectroscopy), ou mais recentemente a espectroscopia Raman, traz benefícios na gestão do tempo e recursos do laboratório.

• Algoritmos computacionais e Inteligência artificial: a capacidade cognitiva humana se atrapalha com a quantidade de dados disponíveis e não consegue distinguir o que é importante do que não é. Neste ambiente será fundamental uma camada ‘máquina’ que, por meio de métodos estatísticos, ciência de dados, aprendizado de máquinas e balanço de massa, poderá extrair valor dos dados.

• Especialista virtual: poderá cooperar com o “Especialista Humano” na execução de análise para identificação de desvios, agregando agilidade na comunicação entre a operação, assim como efetuar a proposição de solução de problemas.

As ferramentas de inteligência serão cada vez mais imprescindíveis para aumentar a eficiência industrial. Toda essa modernização permite tomadas de decisões mais rápidas, que levam à redução de custos e maior rentabilidade.

Referências bibliográficas

Amorim, Henrique Vianna de. Infecção na fermentação: como evitá-la. Álcool e Açúcar, v. 1, n. 5, p. 12-18, 1981.
BASSO, L. C.; OLIVEIRA, A. J.; ORELLI, V. F.; CAMPOS, A. A.; GALLO, C. R.; AMORIM, H. V. Dominância das leveduras contaminantes sobre as linhagens industriais avaliada pela técnica da cariotipagem. In: CONGRESSO NACIONAL DA STAB, 5, 1993, Águas de São Pedro. Anais… Piracicaba: Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil, 1994. p. 246-250.
LOPES, M.L. Estudo do polimorfismo cromossômico em S. cerevisiae (linhagem PE-2) utilizada no processo industrial de produção de etanol. 2000. 118 f. Tese (Doutorado em Microbiologia Aplicada), Universidade Estadual Julio de Mesquita Filho, Rio Claro, 2000.

Autores: Claudemir Bernardino e Fernando Henrique C. Giometti da Fermentec

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Primeiro Webmeeting Fermentec: 1500 participantes em 12 horas de conteúdo on-line

A primeira edição do Webmeeting Fermentec reuniu mais de 1500 participantes que puderam acompanhar ao vivo pelo YouTube mais de doze horas de conteúdo em quatro noites de transmissões com o apoio de 17 empresas patrocinadoras. A programação foi dividida entre os dias 14 e 17 de setembro em cinco painéis, sendo etanol de milho, fermentações inteligentes, açúcar, melaço de soja e controle analítico com as novidades e tendências do setor sucroenergético nacional e do exterior.

A Fermentec realiza em todos os meses de julho a Reunião Anual, um dos eventos mais tradicionais do setor sucroenergético nacional. Este ano, a Fermentec estava com tudo preparado para realizar a Reunião Anual nos dias 29 e 30 de julho, novamente na cidade de Ribeirão Preto, mas a proibição de eventos por conta das medidas de isolamento social adotadas no final de março no estado de São Paulo para o enfrentamento da Covid-19 forçou uma mudança de planos.

Para seguir contribuindo com conhecimento e aproveitar o conteúdo da Reunião Anual que já estava preparado, foi realizado o Webmeeting Fermentec, que agora vai fazer parte do calendário dos grandes eventos do setor no Brasil “o evento surgiu da necessidade de seguir contribuindo com as empresas na impossibilidade de fazer a Reunião Anual, mas a repercussão foi tão positiva que em 2021 teremos a Reunião Anual, se as condições sanitárias permitirem, e também o Webmeeting que será aberto ao público em geral da mesma forma como ocorreu nesta primeira edição”, explica Marcel Salmeron Lorenzi, PMO da Fermentec e coordenador do Webmeeting.

O Webmeeting teve em seus painéis palestras relacionadas aos temas, apresentações dos patrocinadores e ao final todos os participantes entravam em uma sala no Zoom para fazer perguntas no grande debate.

Ao final de cada painel os participantes se reuniam pelo Zoom para participar do grande debate

Confira como foram os quatro dias do primeiro Webmeeting Fermentec.

Abertura

Henrique Vianna de Amorim: capacitação e conhecimento são peças fundamentais nas organizações

O fundador da Fermentec, Henrique Vianna de Amorim, abriu o primeiro evento digital da Fermentec destacando o papel do conhecimento “uma ideia disruptiva pode surgir em um momento de lazer, fora do trabalho, quando a mente está aberta e descuidada, mas antes é preciso fazer o feijão com arroz”, prosseguiu Amorim. É preciso ler artigos, pesquisar, entender porque algo deu certo ou porque deu errado. A Fermentec foi a primeira empresa a usar regressões simples e múltipla no setor, além de desenvolver leveduras personalizadas, entre tantas outras tecnologias que trazem vantagens econômicas significativas “para tudo isso acontecer, a capacitação e o conhecimento são peças fundamentais nas organizações”, destacou Amorim.

Henrique Amorim Neto destacou a implantação da usina 4.0 e o papel do setor na sustentabilidade

Já o presidente da Fermentec, Henrique Berbert de Amorim Neto, ressaltou como a pesquisa e a tecnologia estão possibilitando o aproveitamento de todo potencial da cadeia de etanol, que passa por uma diversificação das matérias-primas e de produtos em processos totalmente sustentáveis. Essas mudanças, aliadas à implantação da usina 4.0, exigem capacitação constante “mesmo em meio aos problemas enfrentado hoje com a pandemia, o conhecimento não pode parar e o Webmeeting veio para contribuir com muito conteúdo e debates enriquecedores”, concluiu Henrique Neto.

Painel Etanol de Milho

Quem abriu o painel de etanol de milho foi o professor da USP de Ribeirão Preto, Marcos Fava Neves, que falou sobre a expectativa altamente favorável para o futuro. Hoje já são produzidos 1,6 bilhão de litros de etanol de milho, mas deve chegar a 8 bilhões em 2028. Esse salto vai demandar milho, investimentos e com isso serão geradas novas oportunidades econômicas não só para a região Centro-Oeste, mas também para o norte associando economia, meio ambiente e impacto social.

Alexandre Godoy mostrou que a região Sudeste também pode produzir etanol de milho

Alexandre Godoy, da Fermentec, mostrou que os benefícios do etanol de milho não ficam restritos ao Centro-Oeste, por ser grande polo produtor de milho. No Sudeste também é possível integrar o milho na usina de cana, mesmo com o preço do grão nesta região ser o mais alto do Brasil. O milho escoado do Mato Grosso ao porto de Santos passa praticamente pelo quintal das usinas. Outro motivo é a evolução tecnológica que permite uma fermentação com alto rendimento, sendo a principal a StarchCane desenvolvida pela Fermentec que, entre as vantagens, trabalha com reciclo de leveduras e permite o funcionamento da usina também na entressafra da cana.

Ângelo Pedrosa, consultor da Vinculum Agro, procurou desmistificar a comercialização de coprodutos do setor sucroenergético pelas usinas brasileiras. O Brasil tem hoje mais de quatro mil estabelecimentos que compram matéria-prima para nutrição animal. Foram 74 milhões de toneladas de ração animal produzidas em 2019. São números que confirmam o potencial do mercado para a diversificação de produtos. Segundo Pedrosa, a estratégia de agregação de coprodutos do etanol de milho deve estar ligada a retirar o máximo de óleo, aumentar o nível e proteínas e o teor de leveduras e conclui afirmando que o Brasil ainda não explorou praticamente nada do que é possível fazer com a integração dos processos de cana e milho.

Painel Fermentações Inteligentes

O professor da Fundação Getúlio Vargas, Andriei José Beber abriu o segundo dia do Webmeeting alertando sobre o papel da inteligência nas organizações “as informações não caem de paraquedas, elas precisam ser capturadas. Precisamos desenvolver uma arquitetura de inteligência que seja flexível, nesse acompanhamento contínuo que os dados produzem e reconhecer as variáveis que são críticas” destacou o professor. Tudo isso levará ao direcionador de valor, o que me torna uma organização inovadora e diferente da concorrência “na riqueza de informação há uma pobreza de atenção. É nesta hora que a inteligência deve assumir seu papel”, afirmou o professor da FGV.

Fernando Henrique Giometti destacou o papel do GAOA na implantação da usina 4.0

Iniciando o conteúdo específico sobre fermentação, Fernando Henrique Carvalho Giometti resgatou as evoluções tecnológicas desenvolvidas pela Fermentec em mais de 40 anos (cariotipagem para a seleção de leveduras, DNA mitocondrial, leveduras personalizadas, controle de contaminação, metagenômica, fermentação com alto teor alcoólico). Nos avanços mais recentes, o destaque é o GAOA, que vai tornar as fermentações ainda mais inteligentes na implantação da usina 4.0. As ferramentas de inteligência serão cada vez mais imprescindíveis para orientar as decisões do processo e aumentar a eficiência industrial.

O painel também contou com a participação de convidados que falaram sobre os desafios enfrentados nas usinas e como o trabalho da Fermentec contribuiu para melhorar o desempenho industrial. Fernando Vicente, diretor industrial da usina Alta Mogiana, falou de forma bem humorada como a usina aumentou o rendimento da fermentação comparando a levedura com a esposa “a levedura, assim como a esposa, é feminina, é ela que escolhe a usina, além de ter suas qualidades e defeitos. Com o trabalho da Fermentec a usina adquiriu conhecimento e conseguiu compreender as características da levedura UAM-1, seus defeitos (espuma) e suas virtudes (pouca floculação e dominância) e o casamento vai indo muito bem até hoje, pois com a predominância da levedura personalizada foi possível aumentar o rendimento da fermentação, concluiu Vicente.

Daniel Ganzerli, gerente de engenharia da usina da Pedra, falou sobre as estratégias na ampliação da produção de etanol e o trabalho de modernização da unidade que começou em 2017. Utilizando tecnologias como o Altferm e o GAOA, a inteligência artificial da Fermentec, a usina da Pedra aumentou a produção de sacas de açúcar de 21800 em 2019 para 47 mil em 2020, elevação do teor alcoólico de 9,33% para 12,2%, o que reduziu o volume de vinhaça produzida, de 9,7 litros passou para 6,4 litros por litro de etanol.

Painel Açúcar

O professor da ESALQ/USP, Cláudio Aguiar, abriu o painel Açúcar do Webmeeting Fermentec destacando os desafios da indústria frente à realidade da colheita mecanizada. A cana crua levou impurezas para a indústria e, consequentemente, amido e dextrana, que impactam no cozimento e demais processos da fábrica. Por isso, o professor alertou para o monitoramento necessário na indústria para reduzir esses impactos na produção de açúcar.

Claudio Aguiar da ESALQ/USP: monitoramento na indústria é fundamental para reduzir impactos na produção do açúcar

Com o preço do açúcar batendo recordes e as usinas com o mix mais açucareiro, as melhorias no processo de produção são muito bem-vindas. Como melhorar o processo com baixo investimento? Murilo Vilela, da Fermentec, explicou como a metodologia de duas massas e meia pode aumentar a produção e melhorar a qualidade do açúcar. Vilela também falou sobre os equipamentos eficientes para a automação de processo, como a agitação de cozimento via torque, que otimiza a produção, contribuindo com a redução do consumo de vapor.

Luiz Anderson Teixeira, da Fermentec, encerrou o painel apresentando o índice de monitoramento da fábrica, novo parâmetro para diagnosticar destruição de açúcar que, via de regra, gera compostos com características ácidas. Por isso, o índice relaciona a acidez do mel com a sua pureza e terá a função de identificar se unidades industriais com acidez no mel final semelhantes e purezas distintas, possuem eficiências equivalentes na recuperação da fábrica de açúcar.

Painel Controle Analítico

Na última noite do Webmeeting Fermentec o controle analítico foi o tema central de todas as palestras.

Eduardo Borges, da Fermentec, explicou como é o laboratório do futuro, requisito para a implantação da usina 4.0. Um dos princípios mais importantes é a automação dos processos analíticos, com equipamentos que salvam os dados das estruturas computacionais e monitoramento de dados em tempo real. No laboratório do futuro só se mede o que deve ser medido e os analistas otimizam o tempo no laboratório com interpretação de análises mais complexas.

Fernando Eder Ré, da Fermentec, fez um comparativo das metodologias da prensa e do digestor e análise dos interferentes na quantificação dos açucares. Fernando fez uma análise das impurezas totais que aumentaram por conta da colheita mecanizada (minerais e vegetais), AR%Cana, determinações de AT_ART%CANA e eficiência industrial RTC (recuperado total corrigido), as diferenças registradas pelos métodos da prensa e do digestor e vantagens de cada um deles. As pesquisas seguem avançando analisando as usinas caso a caso para reduzir os interferentes.

As dificuldades enfrentadas pelas usinas para fazer medições foi o assunto da palestra de Eder Silvestrini, da Fermentec. Segundo ele, 40% das unidades clientes Fermentec têm problemas para fazer a quantificação do rendimento geral da destilaria, RGD, seja em amostragem de mosto, quantificação dos açúcares ou de volumes. Rendimento de fermentação e rendimento de destilação são etapas representadas no RGD. As dificuldades podem ser superadas com tecnologias para fazer boas quantificações. Por isso, ele destacou a importância do sistema de amostragem e sistemáticas de medição de volumes para medir o RGD com eficiência e apresentou cases de clientes que conseguiram melhorar suas medições.

Claudemir Ribeiro, da JW, explicou como a integração entre os equipamentos promoveu eficiência energética na produção de álcool

Na última palestra do Webmeeting Fermentec, Claudemir Ribeiro, da empresa JW, explicou a importância do controle industrial para produzir álcool com a qualidade esperada e como é possível fazer a destilação com eficiência energética. Com a integração entre os equipamentos é possível configurar a usina para fazer um melhor aproveitamento de vapor. Segundo Claudemir, só é possível manter a qualidade do álcool investindo em processos automatizados que garantem melhor controle do andamento da produção e métodos analíticos.

Encerramento

Ao final do grande debate, foi feita uma reflexão sobre todos os temas discutidos ao longo do Webmeeting pelo vice-presidente da Fermentec, Claudemir Bernardino “a inteligência empresarial está na capacidade de antecipar problemas e inovar diariamente, o que deve ser cultural, já estabelecido nas organizações. Nos 43 anos de história da Fermentec, mesmo nos períodos mais críticos, nunca abandonamos a pesquisa aplicada porque é esse valor que aumenta a eficiência industrial dos nossos clientes”, concluiu o vice-presidente da Fermentec.

Claudemir Bernardino “a inteligência empresarial está na capacidade de antecipar problemas e inovar diariamente”

Na revista do Webmeeting da Fermentec você confere artigos relacionados com as palestras e outras informações importantes do setor sucroenergético. Acesse e confira!

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Porque fazer o rating BENRI?*

O uso de um rating operacional para desenvolver o processo de uma usina tem como objetivo principal desmembrar as avaliações das áreas agrícola e industrial, demonstrar as tendências e balizar as metas dentro de um quadro tecnológico atual. Isto ocorre porque quando se determina as curvas de corte dos KPI’s contidos no rating, utilizamos parâmetros atualizados anualmente, dentro das tecnologias mais atuais que estão sendo aplicadas no meio produtivo.

O rating do BENRI, além de classificar o seu cliente com as tecnologias mais atualizadas, faz a avaliação de forma relativa considerando as variáveis sazonais do período que está sendo avaliando. Também faz uma auditoria independente que valida os dados a serem utilizados na composição das curvas de corte a serem aplicadas ao ano em questão.

Uma boa ferramenta que o rating traz é a avaliação geral das unidades. Pode ocorrer de uma unidade ter boa eficiência industrial e agrícola, mas não ter uma boa performance no consumo de vapor ou na exportação de energia por exemplo. Na parte agrícola possuir altos índices de infestação final de broca e baixo rendimento operacional da colheita mecanizada. Portanto, apesar de ter uma boa eficiência ainda há pontos a melhorar ou então a eficiência não é tão boa, mas outros KPI’s mensurados estão indo bem e elevam o rating geral. O rating operacional BENRI pode identificar toda essa variação.

Também pode acontecer de uma unidade, mesmo tendo uma eficiência igual entre duas safras, sofrer variação no seu rating geral. Quando isso ocorre, com o aumento da nota, pode ser consequência da análise dos demais KPI’s e execução de planos de ação que visam uma melhoria nos pontos identificados com nota baixa. Como resultado, a nota geral acaba sendo elevada.
Por outro lado, podem ocorrer problemas em parâmetros que não afetam o RTC, mas sim a operação. Então, toda a nota geral diminui mesmo com a eficiência se mantendo.

No viés agrícola, os valores relativos de ART/ton podem não variar, mas o rating geral agrícola pode cair pela influência dos demais indicadores que compõem o rating.

Os gráficos abaixo demonstram situações semelhantes aos dos exemplos apresentados e também um caso em que o RTC foi o maior fator de peso na nota, ou seja, se manteve estável e a nota geral também.

Clientes que mantiveram o RTC constante nas duas safras.

As usinas A, B e C do gráfico anterior (Rating RTC) são as mesmas deste gráfico. Isso demonstra que mesmo uma usina tendo em dois anos consecutivos a mesma nota de RTC, sua nota industrial geral pode piorar, manter ou aumentar devido aos outros kpis também importantes.

Clientes que mantiveram o kg ART/TC constante nas duas safras.

As usinas A, B e C do gráfico anterior (Rating ART/ton de cana) são as mesmas deste gráfico. Isso demonstra que mesmo uma usina tento em dois anos consecutivos a mesma nota de KG ART/ton cana, sua nota agrícola geral pode piorar, manter ou aumentar devido aos outros kpis também importantes.

*Conteúdo patrocinado pela empresa BENRI

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Soluções SUEG para laboratório PCTS 4.0*

Introdução

A SUEG ao longo desses 43 anos desenvolve e fornece ao setor sucroenergético equipamentos e soluções inovadoras para laboratórios de pagamento de cana – PCTS.

Com a evolução dos equipamentos e acompanhando as necessidades reais da rotina do laboratório, apresentamos um conjunto de equipamentos que atendem as normas de segurança NR-12 e possibilitam a automação do processo de preparo e analise de cana.

Os equipamentos que compõem o conjunto são:

Alimentador automático para o desfibrador SUEG

Tecnologia patenteada que substitui a operação manual de alimentação do desfibrador realizada por um operador.
– Processo automático
– Sem riscos de acidente
– Maior número de amostras

Novo Desfibrador SUEG

A SUEG apresentou em 2017 o seu novo desfibrador modelo SG-D.500 homologado junto ao Consecana-SP que apresenta os seguintes diferenciais:
– Bocal de acoplamento evitando acidentes ao operador (Patente requerida)
– Sistema de motofrenagem
– Facilidades mecânicas com peças de desgaste facilmente removíveis
– Confiabilidade nos resultados analíticos

Novo Homogeneizador automático SUEG

Em 2018 foi homologado junto ao Consecana-SP apresentando os seguintes diferenciais:

– Segurança ao operador
– Totalmente automático do recebimento ao descarte
– Limpeza interna automática
– Sem emissão de ruídos

Esteira para analise NIR

Diferencial da Esteira SUEG com o Novo Homogeneizador SUEG

– Amostras de controle exigidas pelo Consecana-SP são homogeneizadas sem a necessidade de retroceder o processo.
– Segurança e eficiência operacional

Com esses equipamentos trabalhando em conjunto surge a solução exclusiva PCTS 4.0 em termos de preparo e analise de cana.

A cana oriunda da sonda obliqua é descarregada no alimentador automático (que substitui o operador que alimentava o desfibrador manualmente) sendo desfibrada e homogeneizada e descarregada sobre a esteira, passando então pelo NIR para as análises de POL, Brix e Fibra.

Os equipamentos se encontram em operação em diversos clientes que vem colhendo os benefícios dessa evolução.

● Processo totalmente automatizado do recebimento ao descarte
● Mínima interferência do operador
● Baixa emissão de ruído
● Atende a Norma NR-12
● Analise por tecnologia NIR (não fornecido pela SUEG)
● Confiabilidade dos resultados
● Aumento da eficiência operacional

Conclusão

O futuro é agora, faça parte e usufrua você também desses benefícios.

*Conteúdo patrocinado pela empresa SUEG

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